Os arquivos secretos de Elena Ceauşescu
«Os vermes nunca estão satisfeitos, mesmo que lhes demos muita comida»
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Wisława Szymborska: "As três palavras mais estranhas"
"As três palavras mais estranhas"
- de Wisława Szymborska
Quando pronuncio a palavra futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando pronuncio a palavra silêncio,
destruo-o.
Quando pronuncio a palavra nada,
crio algo que não cabe numa não-existência.
- de Wisława Szymborska
Quando pronuncio a palavra futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando pronuncio a palavra silêncio,
destruo-o.
Quando pronuncio a palavra nada,
crio algo que não cabe numa não-existência.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Kārlis Skalbe: Um idílio primaveril
Kārlis Skalbe (1879-1945)
Um idílio primaveril
(Tradução de E. Ceausecu)
O meu trilho - uma fita de linho,
Esticada pelo prado embranquecendo ao sol
Passo sobre ela, sonhando,
E tu vens levar-me pela mão.
A prímula refulge na erva
E ouro das flores dos dentes de leão,
E os céus descem sobre a terra
Como uma tenda de seda cerúlea.
Junto às alvas casas, florescem macieiras,
As ervas compridas crescem na clareira,
E dando risinhos ao olhar para nós
Crianças à beira da estrada
Cambalearam para a relva,
Com os dedinhos na boca.
domingo, 19 de agosto de 2012
Adam Mickiewicz: calmo
Adam Mickiewicz: calmo
Tradução de Elena C.
A bandeira claudica, exangue. Imóvel.
Como mar profundo respirando de um doce peito
Como noiva que sonha com o que dita o amor
E acorda e suspira, tirando à sorte sonhando.
Velas suspensas nos mastros - inúteis - esquecidas
Como estandartes dobrados, que os guerreiros conquistam
E trazem consigo do auge da batalha, danificados.
Os marinheiros colocam-nos em recanto aconchegado.
Ò mar! em tuas ignotas profundezas ocultos,
Nas fortes tempestades, teus monstros sonham e dormem,
Da luz do sol sua crueldade escondem.
Assim, alma minha, em tuas profundezas tristes ocultos
Os monstros dormem -- nas fortes tempestades. Eles vêm
Da paz de um céu azul conquistar-me o coração.
Tradução de Elena C.
A bandeira claudica, exangue. Imóvel.
Como mar profundo respirando de um doce peito
Como noiva que sonha com o que dita o amor
E acorda e suspira, tirando à sorte sonhando.
Velas suspensas nos mastros - inúteis - esquecidas
Como estandartes dobrados, que os guerreiros conquistam
E trazem consigo do auge da batalha, danificados.
Os marinheiros colocam-nos em recanto aconchegado.
Ò mar! em tuas ignotas profundezas ocultos,
Nas fortes tempestades, teus monstros sonham e dormem,
Da luz do sol sua crueldade escondem.
Assim, alma minha, em tuas profundezas tristes ocultos
Os monstros dormem -- nas fortes tempestades. Eles vêm
Da paz de um céu azul conquistar-me o coração.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Como atender clientes num restaurante romeno Boster's
Com a perspicácia inabalável habitual, Elena desvenda mais um mistério, desta feita sobre como servir à mesa num restaurante Boster's. Ora leiam:
Local:
Riga, Latvia
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Adam Mickiewicz: o peregrino numa montanha da Crimeia
Adam Mickiewicz: o peregrino numa montanha da Crimeia
Tradução de Elena C.
Sob mim, vejo estender-se meio mundo
Em cima, o céu azul; à volta, cumes de neve
Mas o jovial palpitar da vida é lento,
Sonho com locais distantes, finados prazeres.
Os bosques da Lituânia percorria
Onde as aves canoras cantam canções que sei;
Para lá do oscilar da marisma eu corria
Onde os alados maçaricos mergulham o bico.
Um temor trágico, solitário aperta-me o coração,
Uma saudade de um sítio de paz tranquila,
E reencontro memórias de ternura pueril.
Anseio partir para o lar da minha infância,
Ainda que todas as folhas o meu nome gritassem
Ela não se deteria, nem escutaria ao passar.
Etiquetas:
Adam Mickiewicz,
Crimeia
Local:
Crimea, Ukraine
quarta-feira, 21 de março de 2012
Adam Mickiewicz: As ruínas do castelo de Balaclava
Adam Mickiewicz: As ruínas do castelo de Balaclava
Uma tradução de Elena C.
Estes castelos em destroços amontoados outrora belos
Protegeram-te, Crimeia, terra ingrata!
Hoje como caveiras gigantes alcandoradas se erguem
E acolhem répteis ou homens diminuídos.
Naquela torre um brasão se encontra desenhado
E letras, o nome de um herói perecido, cuja mão
Dizimou exércitos. Ele dorme agora esquecido e
A vinha protege-o, como um verme, abraçando-o.
Aqui, os gregos esculpiram ornamentos de pilastras
Os italianos os mongóis acorrentaram
E peregrinos rezaram lentamente, ajoelhados para Meca:
Hoje só o abutre de asas pretas reina
Como numa cidade morta e pestilenta,
Onde os estandartes do luto flutuam nas planícies.
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